Resposta rápida
Com renda variável, monte o orçamento sobre o seu pior mês dos últimos seis, não sobre a média. Esse piso é o único número com que você pode contar, e os seus gastos fixos precisam caber dentro dele. Tudo o que entrar acima do piso é excedente, e o excedente se divide por uma regra definida uma única vez — por exemplo 50% para a reserva, 30% para metas e 20% para gasto livre — nunca na hora. A média é a armadilha: compromete você com um dinheiro que metade dos meses não chega.
Com salário fixo, fazer orçamento é dividir um número que você já conhece. Com renda variável, o número ainda não existe — e é exatamente aí que quase todo conselho de finanças pessoais para de servir.
Se você ganha por comissão, por nota, por projeto ou pelo que vendeu no mês, o seu problema não é organizar gastos. É que não há nada estável contra o que organizá-los.
A armadilha da média
A primeira coisa que todo mundo faz é tirar a média dos últimos meses e orçar com ela.
É exatamente a decisão errada, por um motivo aritmético: metade dos seus meses fica abaixo da média. Sempre. É o que uma média significa.
Então, se você assume um aluguel, um plano e umas parcelas do tamanho da sua renda média, seis meses por ano não vão fechar. E o buraco desses seis meses é tapado com crédito, que é como uma renda variável vira, silenciosamente, uma dívida fixa.
Orce pelo piso
Pegue os seus últimos seis meses de receita. Se o seu trabalho tem alta e baixa temporada, pegue doze.
Agora ignore a média e fique com o mais baixo. Esse é o seu piso.
| Mês | Receita |
|---|---|
| Abril | R$ 4.200 |
| Maio | R$ 2.800 |
| Junho | R$ 5.100 |
| Julho | R$ 3.400 |
| Agosto | R$ 6.000 |
| Setembro | R$ 3.100 |
Média: R$ 4.100. Piso: R$ 2.800.
A diferença entre esses dois números decide se o seu ano é tranquilo ou acidentado. Os seus gastos fixos — tudo o que é pago de qualquer jeito, todo mês — precisam caber em R$ 2.800. Não em R$ 4.100.
Se hoje não cabem, aí está o trabalho. Não é cortar por cortar: é que um compromisso mensal que só dá para pagar nos meses bons não é um compromisso que você consegue sustentar.
A regra do excedente
Tudo o que entra acima do piso é excedente. E o excedente precisa de uma regra decidida antes de chegar.
Esta é a parte importante: a regra se define uma vez, a frio, e depois não se discute. Uma divisão razoável:
- 50% para a reserva, até cobrir de três a seis meses dos seus gastos fixos.
- 30% para metas, o que você estiver construindo.
- 20% para gasto livre, sem culpa e sem justificar. Essa parte não é um prêmio opcional: é o que faz o sistema se sustentar.
Quando a reserva estiver completa, esses 50% se redistribuem entre metas e livre.
Um mês de R$ 6.000 com piso de R$ 2.800 deixa R$ 3.200 de excedente: R$ 1.600 para a reserva, R$ 960 para metas, R$ 640 livres. Divida no mesmo dia em que cai.
Por que decidir a frio muda tudo
Com o dinheiro já na conta, um mês de R$ 6.000 não parece "um mês bom". Parece o seu novo normal. E é essa sensação que faz você assumir um gasto recorrente que os meses de R$ 2.800 não vão conseguir pagar.
A regra escrita de antemão não tira nada de você. Poupa você de tomar a mesma decisão doze vezes por ano, sempre no pior momento para tomá-la.
Se você é MEI ou PJ, dois fixos que quase sempre ficam de fora
Quem tem renda variável no Brasil costuma ter também uma estrutura que o assalariado não tem, e ela precisa caber dentro do piso:
- O DAS do MEI é mensal e não depende de quanto você faturou. Em um mês fraco ele vem igual. É gasto fixo, não imposto variável — trate assim.
- O imposto sobre o que você faturou, se você é PJ ou autônomo. Separe no mesmo dia em que o dinheiro entra, junto com a divisão do excedente. Dinheiro de imposto que fica na conta corrente vira dinheiro gasto.
E tem o que você não tem: décimo terceiro, férias remuneradas e FGTS. Um CLT recebe pelo menos um mês extra por ano sem fazer nada; você não. É mais um motivo para a sua reserva mirar seis meses e não três — ela faz o trabalho que o décimo terceiro faria.
A reserva se mede em gastos, não em receita
Erro comum: calcular a reserva sobre o que você ganha. Não. Calcule sobre o que você gasta, e sobre os gastos fixos especificamente.
Se os seus fixos são R$ 2.500 por mês, três meses de reserva são R$ 7.500. É o número que transforma um mês ruim em burocracia: você paga os fixos pela reserva, repõe quando voltar a entrar, e o orçamento nem fica sabendo.
Com renda fixa recomendam-se três meses. Com renda variável, mire em seis. A diferença não é exagero: é que você vai usar mesmo.
O que revisar todo mês
Três coisas, cinco minutos:
- Entrou acima ou abaixo do piso. Se foi abaixo, usa a reserva e segue.
- O excedente já está dividido. Se continua inteiro na conta corrente no meio do mês, vai se gastar sozinho.
- Os fixos ainda cabem no piso. Uma assinatura nova ou uma parcela que começou podem ter quebrado a conta sem você notar.
O difícil não é o método
O método cabe em uma página. O que fica pesado é sustentá-lo: saber quanto já entrou no mês, quanto disso já está comprometido, se o excedente já foi dividido.
É exatamente o que o Jacko carrega por você. Você conta o que entra e o que sai falando pelo WhatsApp, e ele diz em que ponto do mês você está contra o seu piso — não contra uma média que não existe.
Perguntas frequentes
Por que não posso usar a minha renda média?
Porque, por definição, metade dos seus meses fica abaixo da média. Se você assume custos fixos no tamanho da média, metade do ano não fecha e o buraco é tapado com crédito. Orçar pelo piso faz o contrário: todo mês fecha, e os bons sobram.
De quantos meses de histórico eu preciso para achar o meu piso?
Seis no mínimo, doze se o seu trabalho tem temporada. Com menos histórico, use o mês mais baixo que você já teve e ajuste depois. Um piso provisório e conservador serve; uma média otimista, não.
O que faço nos meses em que entra bem mais que o piso?
Dividir pela regra que você definiu antes de receber, no mesmo dia em que o dinheiro cai. A decisão se toma uma vez, a frio. Decidir no calor, com o dinheiro já na conta, é como um mês bom vira um gasto recorrente que depois precisa ser sustentado todos os meses.
De quanto precisa ser a reserva com renda variável?
Maior do que com salário fixo: de três a seis meses dos seus gastos fixos, não da sua renda. É o que transforma um mês ruim em burocracia em vez de emergência. É o primeiro destino dos meses bons, antes de qualquer meta.
Sou MEI. O DAS entra no piso ou no excedente?
No piso, como gasto fixo. O DAS é mensal e vem igual num mês fraco, então ele precisa caber dentro do seu pior mês junto com aluguel e contas. O imposto sobre faturamento é outra coisa: esse se separa no dia em que o dinheiro entra, antes de dividir o excedente.
Sem décimo terceiro e sem férias, quanto muda o cálculo?
Muda o tamanho da reserva. Um CLT recebe pelo menos um mês extra por ano e tem FGTS por trás; você não tem nenhum dos dois. Por isso a meta são seis meses de gastos fixos e não três: a reserva faz o trabalho que o décimo terceiro faria.
E se um mês nem chegar ao piso?
É exatamente para isso que a reserva existe: usa, repõe no próximo mês que sobrar, e não mexe no orçamento. Se acontecer três meses seguidos, o piso estava alto demais e precisa baixar.
Deixe o Jacko cuidar das contas.
Ele lê os comprovantes que já chegam no seu e-mail e classifica cada gasto sozinho. Sem planilhas e sem abrir o app.
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